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    10/4/2009

    "Todo Cambia" by Mercedes Sosa

     

    Hoy, cuando me desperté con la noticia de la muerte de Mercedes Sosa, mi corazón estaba presa de una profunda tristeza. Al escuchar algunas de sus canciones como "Alfonsina y el Mar", "Gracias a la vida", "Todo Cambia", "Solo le pido a Dios", "Yo Vengo Ofrecer Mi Corazón" y otras, fue tomada por un sentimiento de pérdida. En el deseo de comprender este sentimiento, me puse a caminar por los laberintos de mi corazón y encontró Mercedes Sosa con su voz profunda y que, como pocos cantantes, canta con el alma. 
      
    Yo  cuando adolescente fue sin duda mucho más soñadora y romántica que la mayoría de las chicas de mi edad. Recuerdo la primera vez que oí la voz de Mercedes Sosa cantando "Alfonsina y el Mar", quedé muy impresionada y fue llevada por una curiosidad incesante, para saber el significado de la música. La melodía era hermosa, la voz de Mercedes Sosa era absolutamente preciosa. Mi alma ciertamente lo entendía todo, pero mi intelecto no.

    Fue allí exactamente en este momento presente de mi vida, me decidí a estudiar español.
    Hoy sé que el aprendizaje de otro idioma (hablar y escribir), no es fácil. Pero en ese momento mi meta con el español no iba a hablar o escribir bien, lo que yo quería era entender la poesía que la voz profunda que cantaba a mi alma.

    Muchas personas deciden las cosas en sus vidas y seguen el camino trazado por estas decisiones, pero no siempre reconoce cuándo y bajo qué circunstancias las opciones han cambiado la ruta de acceso.

    El idioma español me abrió muchas puertas. Estas puertas me han dado muchas alegrías y madurez. Comprerendi un poco más de sentimientos. Aprender un idioma es también una forma de entender otras culturas y sus expresiones únicas de los sentimientos.
    Dios es sabio, realmente nos ama, porque nos presenta la posibilidad de aprender en una sola vida, diferentes formas de expresar sentimientos.

    Esta mañana, mientras caminaba en el laberinto de mi corazón, recordando mis decisiones y, sobre todo, la influencia de la voz de Mercedes Sosa en él, lloré.

    "Todo Cambia"

    Cambia lo superficial
    cambia también lo profundo
    cambia el modo de pensar
    cambia todo en este mundo

    Cambia el clima con los años
    cambia el pastor su rebaño
    y así como todo cambia
    que yo cambie no es extraño

    Cambia el mas fino brillante
    de mano en mano su brillo
    cambia el nido el pajarillo
    cambia el sentir un amante

    Cambia el rumbo el caminante
    aunque esto le cause daño
    y así como todo cambia
    que yo cambie no extraño

    Cambia todo cambia
    Cambia todo cambia
    Cambia todo cambia
    Cambia todo cambia

    Cambia el sol en su carrera
    cuando la noche subsiste
    cambia la planta y se viste
    de verde en la primavera

    Cambia el pelaje la fiera
    Cambia el cabello el anciano
    y así como todo cambia
    que yo cambie no es extraño

    Pero no cambia mi amor
    por mas lejos que me encuentre
    ni el recuerdo ni el dolor
    de mi pueblo y de mi gente

    Lo que cambió ayer
    tendrá que cambiar mañana
    así como cambio yo
    en esta tierra lejana

    Cambia todo cambia
    Cambia todo cambia
    Cambia todo cambia
    Cambia todo cambia

    Pero no cambia mi
    amor...

    9/5/2007

    Chuva by Mariza

     
     
    (Clique acima para ver e ouvir "Chuva com Mariza)
     
    As coisas vulgares que ha na vida / (The usual things in your life)
    Nao deixam saudades / (won't make you miss them){"saudade" is a word that can't be translated}
    So as lembrancas que doem / (only the hurting memories )
    Ou fazem sorrir / (or those which make you smile)
    Ha gente que fica na historia / (there are some people who stay in history)
    da historia da gente ( our life's history)
    e outras de quem nem o nome ( and other who we don't even remember)
    lembramos ouvir / (hearing their names)
    Sao emocoes que dao vida / (it are the emotions that bring life)
    A saudade que trago (to the "saudade" that i bring in me)
    Aquelas que tive contigo /(those i had with you)
    e acabei por perder /(and i've just lost)
    Ha dias que /(There are days that)
    marcam a alma e a vida da gente /(that leave marks in your soul and in our life)
    e aquele em que tu me /(and the one that you've)
    deixaste nao posso esquecer /(left me i can not forget)

    A chuva molhava-me o rosto /(The rain felt in my face)
    Gelado e cansado /(frozen and tired)
    As ruas que a cidade tinha /(the streets that the city had)
    Ja eu percorrera /(i've went along through them)
    Ai... meu choro de moca perdida /(ohh... my young lost girl cry)
    gritava a cidade /(I screamed to the city)
    que o fogo do amor /(that the fire of love)
    sob chuva /(under the rain)
    ha instantes morrera /(died moments ago)

    A chuva ouviu e calou /(the rain listenned and silenced)
    meu segredo a cidade/(my secret to the city)
    E eis que ela bate no vidro (and there she knocks on the window glass)
    Trazendo a saudade (bringing with her the "saudade")

    The song"Chuva" from the fado portuguese singer Mariza. The Lyrics and Music by Jorge Fernando. 
    Movie, Translation and  edited by tojoferreira. 
    {"saudade" is a felling that you have when something you like is far away or lost. It's like missing something
    I miss you would correspond in portuguese to : Tenho(have) "saudades" tuas(of you)}

     

    Eu nao seria eu ou eu descobriria que jah estava morta se nao sentisse milhares de borboletas coloridas em meu estomago e inumeras libelulas saltitanmtes em minha mente ao ouvir esta belissima musica.
    Que bom retornar a minha page...  meu particular Pier... minhas cartas... parte deminha alma... meu coracao...
    Dedico este post a todos que me visitaram (deixando rastro ou nao), aos que deixaram simpaticos scraps e aos que me enviaram e-mails. Irei me atualizar e contestar a todos.


     
    3/15/2007

    Adolpho by Benjamin Constant

    "...Todo sentimento precisa de um passado pra existir
    O amor não, ele cria como por encanto um passado que nos cerca
    Ele nos dá a consiência de havermos vivido anos a fio
    Com alguém que a pouco era quase um estranho
    Ele supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica..."

    Quando ouvi pela primeira vez esta definição de "tempo" para o amor, eu fiquei encantada e deduzida. Como não poderia me sentir assim, pois novamente estava Ana Carolina dando forma gramatical ao meus sentimentos. Era exatamente o que eu andava me questionando, quanto ao tempo para  a existência do amor.  Quando consigo encontrar respostas para minhas inquietudes, fico como se tivesse encontrado um tesouro!  Passei muitos dias "arrebatada" por este encanto e sedução, até que decidi pesquisar um pouco mais. Descobri que na verdade não era um poema como eu  supostamente pensava. Trata-se de um trecho do livro de Benjamin Cosntant (escritor Suíço, 1767-1830), chamado "Adolpho".   Estre trecho verbalizado por Ana Carolina no DVD de seu show, no livro Adolpho é um pouco maior e completo: 

    "O amor supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica. Todas as outras afeições necessitam de um passado: o amor cria, como por encanto, um passado de que nos cerca. Dá-nos, por assim dizer, a consciência de havermos vivido anos a fio com alguém que há pouco era quase um estranho. O amor é só um ponto luminoso, e, contudo, parece apoderar-se do tempo. Há poucos dias não existia, logo mais, deixará de existir: mas enquanto existe esparge sua claridade sobre o tempo precedente e sobre o tempo que o sucederá".

     

    2/22/2007

    Passáro sem Asas by Anabela Alves da Cruz

    "Sinto que me cortaram as asas...
     Sou como um pássaro sem asas, que nao sabe nem consegue voar.
     Se é asssim já não sou pássaro, já nao sou nada.
     Sou só matéria.
     Adoeceu o melhor que eu tinha..."  (
    20-04-04)
     
     
    Somente agora entendo todos  os sentimentos intrínsecos em suas palavras.
     
    2/8/2007

    The beginning of happiness by Clarissa Voughan

    I remember one morning
    Getting up at dawn
    There was sush a sense of possibility, you know…
    And I remember thinging  to mayself:
    “This is the beginning  of happiness.   This is where it stars.   And of course there´ll always be more.”
    It never occurred to me. It wasn´t  the beginning.
    It was happiness. It was the moment. Rigth than.
     
     
    Lembro-me de levantar certa manhã ao amanhecer.
    Havia tamanha sensação de possibilidades, sabe essa sensação...
    Eu me lembro de ter pensado:
    “Este é o início da felicidade.  É aqui que ela começa. E, sem dúvida, haverá muito mais.”
    Nunca me ocorreu que não era o começo.
    Era a felicidade. Era o momento. Naquele exato momento.
     
     
     
     
    Querida Clarissa,
     
    Desde "As Horas" já se passaram muitas manhãs em que eu me despertei com esta tamanha sensação de estar vivendo o início da felicidade. De despertar com o coração transbordando de alegria por sentir que estava vivendo o começo da felicidade e achar que esta sensação seria para sempre. Por pensar que era o começo da felicidade e que haveria muito mais, deixei de expressar a alegria de minha felicidade no exato momento em que estava sentindo, pois pensava  que poderia vive-la muito mais. Ainda não aprendi que tal sensação não era o começo, mas sim a própria felicidade naquele exato momento.  É  como ter um ovo nas mãos e sentir a clara dissipando por entre os dedos, separando-se difinitivamente da gema. Clara e gema nunca mais serão uiniforme, nunca mais serão um ovo. Contudo, cada manhã que minha mente desperta, levanto apressada e corro, cruzando os  labirintos  de meu coração até chegar  na encosta de meu particular  e verde mar. Ali, como que atracada, fico no  pier observando todos os movimentos e perfumes. Meus olhos são como um faro candeeiro  buscando  pela chegada desta sensação de possibilidade de felicidade. Que ela atraque em meu pier e que ali ela  permaneça um pouco mais pois, um breve momento, ainda me parece  lacônico demais.
     
    Sempre com carinho
    Gaia
    1/12/2007

    Aedh wishes for the Cloths of Heaven by William Butler Yeats

     Had I the heavens embroidered cloths,
     Enwrought with golden and silver light,
     The blue and the dim and dark cloths
     Of night and ligtht and the half light,
     I would spread the cloths under your feet:
     But I being poor, have only my dreams;
     I have spread my dreams under your feet;
     Tread softly because you tread on my dreams.
     
     

    Seria um abraço longo e especial, sem pressa. Um abraço apertado. Apertado o bastante para aproximar nossos corpos e sentir o compasso de nossa respiração.  Eu alinharia seus cabelos  prendendo-os  com cuidado entre meus dedos.  Contornaria suas sobrancelhas e desceria minhas minhas mão até suas orelhas... Seguraria com doçura o seu rosto em minhas mãos. Com a ponta de meus dedos, tocaria com curiosidade os seus lábios, e com muito cuidado  eu os contornaria também.  Com as palmas de minhas mãos tocaria com muita suavidade os cílios de seus olhos para fecha-los. Quando assim vc estivesse, de olhos fechados, minha boca buscaria encontrar seu ouvido e bem baixinho, com voz de ode,  eu emprestaria as poéticas palavras de William Butle Yeats para declarar meus secretos e verdadeiros sentimentos...

    "Se eu tivesse os trajes bordados do céu,
     adornados com luz dourada e prateada,
     e os trajes escuros, sombrios e azuis da noite,
     à luz e à meia-luz, eu estenderia estes trajes sob teus pés.
     Mas eu, sendo pobre, tenho só os meus sonhos.
     Estendo os meus sonhos  aos  teus pés
     Caminhe com suavidade porque você caminha neles"
    12/23/2006

    A Metade e O Inteiro by Cleide Valla

    Eu nunca deixei nada pela metade,
    pois sempre lutei para terminar
    tudo o que comecei.

    Nunca pensei ela metade.
    pois o meio termo é dúbio,
    e leva à interpretações errôneas.

    Nunca dei meio passo,
    ou teria andado apenas metade do meu caminho
    ou teria vivido apenas metade do meu destino.

    Nunca falei em meias palavras,
    pois estas nos geram dúvidas
    e nos sentenciam à solidão.

    Nunca fui meio alguém,
    apenas nunca encontraram
    a outra metade de mim.

     
     
     
    Acredito que nosso encontro está em alcançarmos o Outro... em um exercício de entrega solidária e muitas vezes solitária.
    Penso que  minha forma de acreditar nos sentimentos da vida está  contrariando o que a maioria  das pessoas  categoricamente afirmam, pois sinto que  sempre há alguém em busca de nós.
    E eu me encantei com esta "Metade e Inteiro"  de Mrs. Valla, especialmente com as palavras finais:  "Nunca fui meio alguém, apenas nunca encontraram a outra metade de mim."  Isso é lindo e doce!  Mrs. Valla sabe como poucos  a arte  de esgrimir palavras.
     
    See you! 
    10/18/2006

    Pela Volta da Carta de Amor by Xico Sá

    A carta escrita à mão, com local de origem, data, saudações, motivos, despeço-me por aqui, papel fininho
    e pautado, pelos Correios, portadores ou menino de recados. 
    Como canta o rei Roberto, escreva uma carta de amor, e diga alguma coisa por favor.
    Em vez de dar de presente mais um celular ou outra obviedade comercial da praça, neste dia dos
    pombinhos, surpreenda o mancebo ou a gazela com uma declaração derramada, selada, seguida de flores.
    Pela volta da carta de amor.
    Chega de emails lacônicos e apressados. Debruce a munheca sobre o papiro e faça da tinta da caneta o seu
    próprio sangue.
    Não temas a breguice, o romantismo, como já disse o velho Pessoa, travestido de Álvaro de Campos, todas
    cartas de amor são ridículas, e não seriam de amor se ridículas não fossem.
    A carta, mesmo com todas as modernidades e invencionices, ainda é o melhor veículo para declarar-se,
    comunicar afinidades e iniciar um feitio de orações.
    O que você está esperando, vá ali na esquina, compre um belo papel e envelopes, e se devote.
    Se tiver alguma rusga, peça perdão por escrito, pois perdão por escrito vale como documento de cartório.
    Se o namoro ainda não tiver começado, largue a mão dessas cantadas baratas e internéticas e atire a arrafa
    aos mares. Uma boa carta de amor é irresistível. Mas não vale copiar aqueles modelos que vêm nos livros.
    Sele o envelope com a língua, como nas antigas, lamba os selos, esse pré-beijo dos lábios da futura mada.
    De novo Pessoa, para encorajá-los mais ainda: “As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas”.
    Às moças é consentido, além dos floreios e da caligrafia mais arrumadinha, a reprodução de um beijo, com
    batom bem vermelho, ao final, perto da assinatura.
    Uma carta, até mesmo de amizade, deixa a gente  comovido, como a que recebi outro dia de Fábio Victor,
    escriba e amigo do Recife que habita a velha e fria Londres.
    Que os amigos,e não apenas os amantes, se correspondam, fazendo dos envelopes no fundo do baú as
    suas histórias de vida.
    Pela volta da carta, que já é por si só uma maneira devota, um tempo que se tira, sem pressa, para
    dicar-se  a quem se gosta. Pela volta da carta, pois o que se diz numa carta é de outra natureza, é o
    bem-querer em  tom solene.
    O que você está esperando, meu amigo, minha amiga, largue esse cronista de lado e debruce-se sobre a
    escrivaninha. Uma mesa de bar ou de um café também são bons lugares para assentar as suas
    mal-traçadas linhas.
    Lembrei-me agora de um começo clássico de missivas: “Venho por meio desta dar-te as minhas notícias
    e ao mesmo tempo saber das tuas...”
    Um namoro, romance ou cacho somente à base de emails não se sustenta, mais parece uma troca de
    ofícios, “venho por meio desta”, uma troca de protocolos, mensagens comerciais.
    Um amor sem uma troca de cartas, nem que seja bem rápida, ainda não é amor.
     
     
    Despertei com o som de meu e-mail, acusando a entrada de uma nova mensagem. Fiquei feliz quando identifiquei o
    remetente e lí o título do assunto: "Olha, andando ví e lembrei-me de vc... abraços e bom dia".
    Que forma mais agradável tem essa minha Amiga Flora de me despertar! Eu que sou uma apaixonda por cartas,
    que cresci em um período um pouco mais romântico que hoje e  que sempre procurei entender meus sentimentos
    através da poesia, me senti profundamente feliz com esta lembrança. 
    Querida Flora, espero que esteja feliz em sua nova "casa", page: http://apenha.zip.net/
    O que vc nao sabe, é que ainda esta semana eu estarei aniversariando e vc com sua lembrança, me deu um presente encantador!
    Obrigada! Obrigada! Obrigada! Carinhos.
    Curiosamente, alguém com muita timidez mas com muita habilidade com as palavras e de respostas
    surpreendentes, me confidenciou que gostaria de receber uma carta... e eu já enviei sua carta!
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    9/10/2006

    Voltar para Casa by David Redding

    ..."Lembro-me de que voltava da Marinha para casa pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial. Minha casa situava-se tão no interior do país que, quando íamos caçar, tínhamos de seguir na direção da cidade. Nós mudamos para lá por causa da saúde de meu pai quando eu tinha 13 anos. Criávamos gado e cavalos.

    Comecei a criar um pequeno rebanho de ovelhas Shropshire, do tipo completamente coberto de lã, exceto o nariz preto e as pontas das pernas negras. Meu pai as ajudava a ter seus gêmeos na época do nascimento, e eu reconhecia cada ovelha do rebanho a distância com facilidade. Eu tinha um carneiro muito bonito. Nosso vizinho era um homem pobre, dono de um belo cachorro e um pequeno rebanho de ovelhas que ele desejava aperfeiçoar com meu carneiro. Ele me pediu para emprestar-lhe o carneiro e, em troca, ele me deixaria escolher um cão da ninhada de seu cão premiada.

    Foi assim que ganhei Teddy, um pastor escocês grande e negro. Teddy era o meu cachorro e fazia tudo que eu quisesse. Ele me esperava na volta da escola. Dormia ao meu lado e quando eu assobiava ele corria na minha direção mesmo que estivesse comendo. À noite, ninguém conseguia se aproximar sem a permissão de Teddy. Durante aqueles longos verões nos campos eu só via a família à noite, mas Teddy sempre me acompanhava. Quando fui para a guerra, não sabia como deixa-lo. Como explicar a alguém que o ama que você vai abandona-lo e não caçara marmotas com ele no dia seguinte como sempre fez?

    Então, aquela volta da Marinha foi, portanto, algo que dificilmente consigo descrever. A última parada de ônibus ficava 22 quilômetros da fazenda. Desci ali naquela noite por volta das 23 horas e andei o resto do caminho para casa. Eram duas ou três da manhã e estava quase 800 metros de casa. Estava escuro como breu, mas eu conhecia cada passo do caminho. De repende, Teddy me ouviu e começou seu latido de advertência. Eu então assobiei uma única vez. Os latidos pararam. Houve um uivo de reconhecimento e eu sabia que uma enorme figura negra corria para mim na escuridão. Quase imediatamente ele me alcançou e veio para os meus braços. Até hoje essa é a melhor forma de traduzir em palavras o que quero dizer com voltar para casa.

    O que me vem agora à lembrança é a eloqüência com que essa memória inesquecível fala do meu Deus para mim. Se meu cachorro me amou sem nenhuma explicação e me aceitou de volta depois de tanto tempo, meu Deus não faria isso?"

     

     Adaptado do  livro  "José", do autor Charles R. Swindoll.

     

    9/6/2006

    Jeitos de Amar by Adélia Prado

    Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era 
    danada de braba, mas esmerava-se na hora de fazer 
    dois molhos de cachinhos no cabelo da filha, para 
    que ela fosse bonita pra escola.

    "Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor".
    É comovente porque é algo que a gente esquece:
    milhões de pequenos gestos são maneiras de amar.
    Beijos e abraços são provas mais eloqüentes,
    exigem retribuição física, são facilidades do corpo.
       
    Porém há diversos outras demonstrações mais sutis.
    Mexer no cabelo, pentear os cabelos, tal como
    aquela mãe e aquela filha, tal como namorados
    fazem, tal como tanta gente faz: cafunés.
    Amigas colorindo o cabelo da outra, cortando
    franjas, puxando rabos de cavalo, rindo soltas.
         
    Quanto jeito que há de amar.
    Flores colhidas na calçada, flores compradas, flores
    feitas de papel, desenhadas, entregues em datas
    nada especiais: "lembrei de você".
    É este o único e melhor motivo para azaléias,
    margaridas, violetinhas.
       
    Quanto jeito que há de amar.
    Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de
    carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta
    respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o
    que se tem, cuidados para não magoar, dizer a
    verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com
    carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias.
          
    Quanto jeito que há de amar.
    Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma
    lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de
    alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro
    pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em
    quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos,
    ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir.
         
    Quanto jeito que há de amar.
    Orar por alguém, vestir roupa nova pra
    homenagear, trocar curativos, tirar pra dançar, não
    espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir,
    visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, cds,
    brinquedos, brincar...
         
    Quanto jeito que há.
     
     
     
     
    Acho que sair da cama, de pijama, em noites estreladas ou chuvosas, correr para Pier, onde é o melhor ponto para se falar através de um celular (*^%$@#^%*_***^%) rs rs rs,  ou ficar do lado de fora, sendo comida por mosquitos, para poder falar ao celular que não tem sinal dentro de casa rs rs rs,  também é um jeito  que há de amar... 
    9/5/2006

    Meditação à Beira de um Poema by Adélia Prado

    Podei a roseira no momento certo
    e viajei muitos dias,
    aprendendo de vez
    que se deve esperar biblicamente
    pela hora das coisas.
    Quando abri a janela, vi-a,
    como nunca a vira
    constelada,
    os botões,
    Alguns já com rosa- pálido
    espiando entre as sépalas,
    jóias vivas em pencas.
    Minha dor nas costas,
    meu desaponto com os limites do tempo,
    o grande esforço para que me entendam
    pulverizam-se
    diante do recorrente milagre.
    maravilhosas faziam-se
    as cíclicas perecíveis rosas.
    Ninguém me demoverá
    do que de repente soube
    à margem dos edifícios da razão:
    a misericórdia está intacta,
    vagalhões de cobiça,
    punhos fechados,
    altissonantes iras,
    nada impede ouro de corolas
    e acreditai: perfumes.
    Só porque é setembro

     

     

    Tudo isso só porque é Setembro...

    8/22/2006

    Tipos de Amor by Francisco C. Xavier

    Vida, é o Amor Existencial.
    Razão, é o Amor que Pondera.
    Estudo, é o Amor que Analisa.
    Ciência, é o Amor que Investiga.
    Filosofia, é o Amor que Pensa.
    Religião,  é o Amor que busca Deus.
    Verdade, é o Amor que se Eterniza.
    Ideal, é o Amor que se eleva.
    Fé, é o Amor que Transcende.
    Esperança, é o Amor que Sonha.
    Caridade, é o Amor que Auxilia.
    Fraternidade, é o Amor que se expande.
    Sacrifício, é o Amor que se Esforça.
    Renúncia, é o Amor que se Depura.
    Simpatia, é o Amor que Sorri.
    Trabalho, é o Amor que Constrói.
    Indiferença, é o Amor que se Esconde.
    Desespero, é o Amor que se Desgoverna.
    Paixão, é o Amor que se desequilibra.
    Ciúmes, é o Amor que se Desvaira.
    Orgulho, é o Amor que Enlouquece.
    Sensualismo, é o Amor que se Envenena.
    Finalmente, o Ódio, que julgas ser antítese do Amor,
    não é senão o próprio Amor que Adoeceu gravemente.
     
     
    7/20/2006

    Amigos by Vinícius de Moraes

    Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
    Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
    A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
    E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
    Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
    A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
    Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
    Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
    Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
    Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
    E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
    Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
    Se todos eles morrerem, eu desabo!
    Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
    E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
    Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
    Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
    Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
    A gente não faz amigos, reconhece-os.

     

     

    Para os Amigos que morreram e foram sepultados... Para os Amigos que ressurgiram como a fênix... Para os Amigos Virtuais, especialmente  aqueles que não desejo  dormir sem antes trocar algumas palavras no messenger... Para os Amigos virtuais que adoro visitar e os recebo em minha page... Para os Amigos que leêm meus pensamentos... Para Amigos que estão em outros continentes... Para os Amigos  que de uma forma muito especial nos reconhecemos... Para os Amigos do passado que só encontro em meus sonhos e sinto saudades...  Neste Dia do Amigo, para os Velhos, Novos e Futuros Amigos,  minha Amizade e meu afeto.

    "Como os perfumes alegram a vida, assim o amigo dá animo para viver." (Bíblia - Livro de Provérbios 27:9)

    "Uma amizade verdadeira é como uma alma em dois corpos." (Aristóteles)  

    6/24/2006

    Reticencias by Mariza Fontes de Almeida

    Às vezes eu imagino
    que tenho alguém
    perto de mim...
    Alguém que eu amo
    e que me quer também;
    que olha nos meus olhos,
    que pega no meu rosto,
    alguém que sabe o gosto
    que o meu coração tem...
    Sabe, de vez em quando
    a minha imaginação
    trabalha tanto,
    que chego a ver você!
    Chego a sentir sua mão!
    Vê?...
    Parece que você está aqui agora,
    no entanto...
     
     
    gosto das reticências... as vezes de uma virgula maluquinha, amo os dois amantes ; tenho medo do ponto final, as vezes fatal. As "" e os ( ) sempre serão voce.
     
     
     
     
    Encontrei a poesia  de Mariza Fontes de Almeida, na page de uma  "Sra Cincuentinha" que encanta a todos que passam por seu endereço. Se desejar ter uma  ótima leitura e ver ótimas imagens,  não deixe de visitar a "Flora".
    A poesia "Reticencias" é belissíma e não há o que comentar, pois hoje ela é a medida exata de meu coração...
    6/1/2006

    "Tudo o que chega, chega sempre por uma razão" by Fernando Pessoa

    Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final..
    Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
    Foi despedida do trabalho?
    Terminou uma relação?
    Deixou a casa dos pais?
    Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
    Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
    Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
    Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
    O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
    As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
    Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
    Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso .... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
    Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
    Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
    Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
    Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
    Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
    Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
    Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
    Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
    Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
    Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem vc é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és
    E lembra-te :

    “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”  (Fernando Pessoa)
     
     
     
    5/20/2006

    Aprenda a Gostar de Você, a Cuidar de Você e, principalmente, a Gostar de Quem Também Gosta de Você... by Mário Quintana

    A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando... a vida profissional, a monografia de final de curso, as  contas a pagar.
    Mas uma coisa parece estar sempre presente... a busca pela felicidade com o amor da sua vida.
    Desde pequenas ficamos nos perguntando "quando será que vai chegar?"  e a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida "será que é ele?".
    Como diz o meu pai: "nessa idade tudo é definitivo", pelo menos a gente achava que era.
    Cada namorado era o novo homem da sua vida.
    Faziam planos, escolhiam o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e, de repente...PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar  mais expectativas a respeito "do próximo".
    Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses.
    Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva. Procura um cara formado, trabalhador,  bem resolvido, inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite.
    Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó,que jogue "imagem e ação" e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo.
    A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação já não tem o mesmo valor que tinha antes.
    A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos  com a procura incessante por uma pessoa legal, que nos complete e vice-versa.
    Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta...e haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira.
    Sem falar na diversidade que vai do Forró ao Beatles.
    Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer a barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som... olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
    Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
    Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama), que não  quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida.

    Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

    O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.

    No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas  quem estava procurando por você!!!

     

     

    Minha Mãe e minhas  Irmãs entendem como poucos de jardinagem.

    Minha Mãe, Helena Ruth, tem um orquidário onde cultiva aproximadamente cento e cinquenta tipos de orquídeas. Ela o faz somente por prazer. Se deseja agradá-la, não pense em  roupas, sapatos, bolsas, jóias, etc... Compre um vaso de orquídea! E não importa se ela já tem um exemplar, ela ficará feliz da mesma forma.  Ela simplesmente ama flores, mas especialmente as orquídeas. Uma vez, ela cuidou de uma vaso durante sete anos (sete anos!!), até que em um determinado dia, os brotos surgiram e minha Mãe viveu o prazer de  ver as orquídeas , até então desconhecidas , ornamentarem  a casa.  O amor  e dedicação de minha Mãe, fizeram o "milagre" do florescimento daquela orquídea estéril.

    Mãe, este post é para vc.  Eu que nunca entendi nada de jardinagem e na maioria das vezes quando vc viajava, me  ligava para lembrar de dar àgua para as plantas... rs rs ... Ou quando eu tinha  alguma planta em meu apartamento, vc ía até lá para cuidar delas. Hoje eu já aprendi a cuidar um pouco mais de plantas, mas certamente tenho muito para aprender. Desejo cuidar de meu jardim  com o mesmo amor que  sempre observei vc cuidar de suas plantas, flores e especialmente de suas orquídeas. Tenho  plantas em meu coração que precisam  do  mesmo cuidado  e paciência que a sua famosa orquídea,  que parecia estéril, mas que após sete anos floresceu. 

    Flores de Orquídeas, de cento e cinquenta espécies, em seu travesseiro, para que tenha sonhos  perfumados e floridos.

    5/1/2006

    Não Sei by Cora Coralina

      Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós,

      Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,

      Se não tocarmos o coração das pessoas.

      Muitas vezes basta ser:

      Colo que acolhe,

      Braço que envolve,

      Palavra que conforta,

      Silêncio que respeita,

      Alegria que contagia,

      Lágrimas que corre,

      Olhar que acarícia,

      Desejo que sacia,

      Amor que promove.

      E isso não é coisa do outro mundo,

      É o que da sentido à vida.

      É o que faz com que ela não seja nem curta,

      Nem longa demais,

      Mas seja intensa,

      Verdadeira, pura...

      Enquanto durar.  

     

     

    Quanto a doçura nas palavras, sinto que as pessoas não utilizam qualquer cerimônia para serem indelicadas e grosseiras,  porém quando se trata de demonstrar qualquer nuança de afetividade, elas já não sabem expressar o que há de doce em seus corações. É uma sensação inexplicável expressar afeto por alguém e muito superior ainda é o seu efeito.  Há um ditado indiano  que eu nunca esqueci: "É preciso comer coisas doces para ter palavras doces."   Sinto desejo de comer cada palavra de Cora Coralina. 

      

    4/15/2006

    O Pequeno Príncipe e a Raposa by Antoine de Saint-Exupéry

    E foi então que apareceu a raposa.
    __ Bom dia - disse a raposa.
    __ Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, que , olhando a sua volta, nada viu.
    __ Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
    __ Quem és tu? - perguntou o principezinho.  __ Tu es bem  bonita...
    __ Sou uma raposa - disse a raposa.
    __ Vem brincar comigo - propôs ele.  __ Estou tão triste...
    __ Eu não posso brincar contigo - disse a raposa.  __ Não me cativaram ainda.
    __ Ah! desculpa - disse o principezinho.
    Mas após refletir, acrescentou:
    __ O que quer dizer "cativar"?
    __ Tu não és daqui - disse a raposa.  __ Que procuras?
    __ Procuro homens - disse o pequeno príncipe.  __ Que quer dizer "cativar"?
    __ Os homens - disse a raposa -  têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
    __ Não - disse o príncipe.  __ Eu procuro amigos.  __ Que quer dizer "cativar"?
    __ É algo quase sempre esquecido - disse a raposa.  __ Significa "criar laços"...
    __ Criar laços?
    __ Exatamente - disse a raposa.  __ Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E Não tenho necessidade de ti. E tu também não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo...
    __ Começo a compreender  - disse o pequeno príncipe.  __ Existe uma flôr... eu creio que ela me cativou...
    __ É possível - disse a raposa.  __ Vê-se tanta coisa na Terra...
    __ Oh! não foi na Terra - disse o principezinho.
    A raposa pareceu intrigada:
    __ Num outro planeta?
    __ Sim.
    __ Há caçadores nesse outro planeta?
    __ Não.
    __ Que bom! E galinhas?
    __ Também não
    __ Nada é perfeito - suspirou a raposa.
    Mas a raposa retornou a seu raciocínio.
    __ Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres  cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti.  E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
    __ Por favor... cativa-me! -disse ela.
    __ Eu até gostaria -disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
    __ A gente só conhece bem as coisas que cativou -disse a raposa.  __ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.  Se tu queres um amigo, cativa-me!
    __ O que é preciso fazer? -perguntou o pequeno príncipe.
    __ É preciso ser paciente -respondeu a raposa.  __ Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
    No dia seguinte o príncipe voltou.
    __ Teria sido melhor se voltasses à  mesma hora -disse a raposa.  __ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.
    __ Que é um "ritual"? -perguntou o principezinho.
    __ É uma coisa muito esquecida também -disse a raposa.  __ É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adoram um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
     
    Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
    __ Ah! Eu vou chorar.
    __ A culpa é tua -disse o principezinho.  __ Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
    __ Quis -disse a raposa.
    __ Mas tu vais chorar! -disse ele.
    __ Vou - disse a raposa.
    __ Então não terás ganho nada!
    __ Terei, sim - disse a raposa  __ por causa da cor do trigo.
    Depois ela acrescentou:
    __ Vai rever as rosas. Assim, compreenderá que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
     
    O pequeno príncipe foi rever as rosas:
    __ Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
    E as rosas ficaram desapontadas.
    __ Sóis belas, mas vazias -continuou ele.  __Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mas importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.
     
    E voltou, então, à raposa:
    __ Adeus... -disse ele.
    __ Adeus -disse a raposa.  __ Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
    __ O essencial é invisível aos olhos -repetiu o principezinho, para não esquecer.
    __ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
    __ Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... -repetiu ele, para não esquecer.
    __ Os homens esqueceram essa verdade -disse ainda a raposa.  __ Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
    __ Eu sou responsável pela minha rosa... -repetiu o principezinho, para não esquecer.
     
     
     
    De todos os personagens  do livro,  a Raposa sempre me encantou de forma singular.
    Gosto de pensar  em seus rituais e  na forma  como ela se cala, observa  por longo tempo e finalmente verbaliza seu desejo de ser cativada... Por favor... cativa-me!  Cativa-me! 
     
     
    4/12/2006

    Ao Longe o Mar by Madredeus

    Porto calmo de abrigo
    De um futuro maior
    Ainda não está perdido
    No presente temor 

    Não faz muito sentido
    já Não esperar o melhor
    Vem da nevoa saindo
    A promessa anterior

    Quando avistei ao longe o mar
    Ali fiquei,
    Parada a olhar 

    Sim, eu canto a vontade
    Canto o teu despertar
    E abraçando a saudade
    Canto o tempo a passar

    Quando avistei ao longe o mar
    Ali fiquei,
    Parada a olhar

    Quando avistei ao longe o mar
    Sem querer,
    Deixei-me ali ficar
     
     

    O Avesso dos Ponteiro by Ana Carolina

    Sempre chega a hora da solidão
    Sempre chega a hora de arrumar o armário
    Sempre chega a hora do poeta a plêiade
    Sempre chega a hora em que o camelo tem sede
    O tempo passa e engraxa a gastura do sapato
    Na pressa a gente nem nota que a Lua muda de formato
    Pessoas passam por mim pra pegar o metrô
    Confundo a vida ser um longa-metragem
    O diretor segue seu destino de cortar as cenas
    E o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos
    E já não vai mais ao cinema
    Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
    Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
    Penso quando você partiu assim sem olhar pra trás
    Como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais
    Os carros na minha frente vão indo e eu nunca sei pra onde
    Será que é lá que você se esconde?
    Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
    Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
    A idade aponta na falha dos cabelos
    Outro mês aponta na folha do calendário
    As senhoras vão trocando o vestuário
    As meninas viram a página do diário
    O tempo faz tudo valer a pena
    E nem o erro é desperdício
    Tudo cresce e o início
    Deixa de ser início
    E vai chegando ao meio
    Aí começo a pensar que nada tem fim
    Que nada tem fim